Origens da Monogamia



De onde vem essa exigência cultural da monogamia? Será que a humanidade sempre viveu assim? Certamente não!


Enquanto existíamos como caçadores e coletores, por quase 200.000 anos, as relações sexuais eram vistas como expressão de um intercâmbio generalizado, não havendo nenhuma exigência de exclusividade.


Com a revolução agrícola e pecuária, há cerca de 10.000 anos, as famílias passaram a se estabelecer em uma terra fixa, surgindo com isso a propriedade privada ou o que se convencionou chamar de “minha terra, meu rebanho”.


A partir do momento em que temos a propriedade das terras bem estabelecidas, surge a necessidade de se passar a herança da posse para os legítimos herdeiros - os filhos do dono.


Para garantir a proteção da linhagem paterna, surge a exigência de monogamia compulsória para as mulheres, pois só assim se poderia ter certeza de que a criança gerada era realmente filha do proprietário da terra, como explica Amanda Gomes:


“Sendo a mulher monogâmica, seria possível assegurar a filiação biológica do homem, garantindo, assim, a sucessão da propriedade privada da família para filhos legítimos. Historicamente, portanto, o surgimento da monogamia foi tardio, sendo concomitante à criação da propriedade privada, em um período de transição da sociedade matriarcal para a patriarcal. Constata-se que seu objetivo era de proteção do patrimônio da família e, consequentemente, da linhagem de filiação do casal.”


Em sua obra “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, Friedrich Engels argumenta que a monogamia


(...) nasce conjuntamente com a opressão de classe, com o surgimento da propriedade privada, inclusive de outros homens na forma de escravos, e a opressão feminina com a subordinação da mulher ao direito paterno para garantir a transmissão de sua linhagem e propriedade.”


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