Ideologias Opressoras (2)



O ser humano desenvolveu uma relação muito ruim com a sexualidade. O psiquiatra austríaco Wilhelm Reich fez esse diagnóstico ainda em 1930: “(...) o homem é a única espécie biológica que destruiu a sua própria função sexual natural e está doente em consequência disso (...) Por causa da sua educação sexualmente defeituosa, a grande maioria dos homens e mulheres é sexualmente perturbada.”


O grande culpado por essa relação perturbada com a sexualidade é certamente o gigantesco histórico de repressão sexual disseminado pela cultura judaico-cristã, como explica o pesquisador Luis Felipe Ribeiro: “Interdição, repressão e negação são a herança de dois milênios de presença cristã no mundo.” Nos livros penitenciais que serviam como guia para orientar os padres nas confissões, “Os pecados sexuais possuíam vários itens e punições muito severas”, como explica a pesquisadora Valéria Melki:

“Nessa lista, poderíamos encontrar: sexo fora do casamento, adultério, masturbação, prostituição, coito interrompido, homossexualidade, sexo oral, sexo anal, sexo com mulher grávida e sexo com mulher que já não pode engravidar – todos partiam da mesma fundamentação, pois eram atos de luxúria, já que não tinham finalidade de procriar.” Muitas pessoas sofrem com isso, em especial porque o cristianismo também traz a concepção de um Deus punitivo e onisciente, que sabe tudo o que fazemos e escrutina cada pensamento nosso, mesmo quando estamos sozinhos e ai de quem desobedecer, pois pode ser condenado ao fogo eterno do inferno. É difícil conhecer o sofrimento das pessoas com toda essa repressão sexual religiosa porque em geral as pessoas vivem isso no seu íntimo e não costumam compartilhar essas dores. Porém, nesta última edição do BBB pudemos testemunhar o sofrimento da maquiadora Juliete que expôs abertamente os problemas que teve durante muitos anos com sua sexualidade por conta da religião cristã: “Por muito tempo eu associei a sexualidade e a relação sexual, eu misturava com o conceito da moralidade cristã. A vida cristã tem um conceito de virtude que eu não concordo e isso me ocasionou graves problemas sexuais. Por exemplo: eu vim me masturbar adulta. Eu me culpava o tempo inteiro. Tanto é que, para eu perder a virgindade de 20 para 21 anos de idade, mesmo em um relacionamento sério com uma pessoa, eu não conseguia. Tinha crise de pânico. Me sentia suja. Sentia que estava fazendo algo contra minha família e contra Deus.”

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