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História da Não-Monogamia



Relacionamentos não-monogâmicos não são um fenômeno recente na história humana, embora atualmente estejam se popularizando como nunca antes. O mais emblemático casal representante desta modalidade de relacionamento foi Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, que nunca se casaram oficialmente, mas em 1º de outubro juraram devoção mútua um ao outro com total liberdade sexual para ambos.


O movimento de contestação da monogamia começou a se intensificar principalmente a partir da revolução sexual, que tem seu auge entre os períodos de 1960 até os anos 1970. O advento da pílula anticoncepcional catalisou este processo, libertando a mulher de sua escravidão reprodutiva, permitindo-a fazer sexo sem se preocupar com a gravidez – o que a colocou em pé de igualdade com os homens pela primeira vez na história.


A música de Raul Seixas lançada em 1975 - “A Maçã” - ilustra bem essa contestação dos valores monogâmicos que se seguiram ao período da revolução sexual: “Se esse amor ficar entre nós dois, vai ser tão pobre amor, vai se gastar. Se eu te amo e tu me amas, um amor a dois profana. Porque quem gosta de maçã irá gostar de todas, porque todas são iguais. Se eu te amo e tu me amas, e outro vem quando tu chamas, como poderei te condenar? Infinita é tua beleza, como podes ficar presa, que nem santa num altar? (...) Mas compreendi Que além de dois, existem mais. Amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade, sofro, mas eu vou te libertar. O que é que eu quero, se eu te privo do que eu mais venero, que é a beleza de deitar”


Apesar de já haverem existido diversas iniciativas individuais de não-monogamia consensual como a de Sartre e Simone em todo o século XX, sabe-se que a primeira forma organizada de não-monogamia moderna surgiu nos Estados Unidos com a prática do Swing(troca de casais). Em 1964 foi lançado o livro “Swap Clubs” (Clube de Trocas), relatando os resultados de uma pesquisa sobre o estilo de vida swinger onde foram entrevistadas 800 pessoas em mais de 25 cidades dos Estados Unidos.


Já em 1972 foi publicado o primeiro livro sobre casamento aberto que se tem notícia. Com o título de “Open Marriage: A New Life Style for Couples” (Casamento aberto: um novo estilo de vida para casais), o livro de Nena e George O´neill vendeu 1,5 milhões de cópias. O modelo de casamento proposto pelos autores enfatiza a comunicação honesta e aberta, além da liberdade compartilhada. Eles enxergam o casamento aberto como uma ferramenta para o crescimento pessoal onde um dá suporte para o desenvolvimento do outro, focado no fortalecimento da individualidade de ambos.


Segundo estes autores, “Casamento aberto pode ser definido como um relacionamento em que os parceiros estão comprometidos com o seu próprio crescimento e com o crescimento um do outro. É uma relação honesta e aberta de intimidade e autorrevelação baseada na igualdade de liberdade e identidade de ambos os parceiros. O apoio e confiança crescentes nas identidades individuais possibilitam o compartilhamento do crescimento pessoal com uma outra pessoa significativa, que incentiva o seu próprio crescimento e o de seu companheiro. É uma relação flexível o suficiente para permitir mudanças e que está em constante renegociação à luz das mudanças nas necessidades, consenso na tomada de decisões, aceitação e incentivo ao crescimento individual e abertura a novas possibilidades de crescimento.”

Swing, Casamento Aberto e Casamento Multilateral foram as primeiras formas organizadas e documentadas de não-monogamia consensual. Já com relação ao termo poliamorismo, a primeira menção que se encontra é de 1953, na Illustrated History of English Literature, por Alfred Charles Ward. Em 1984 surgiu uma revista chamada “Loving More”, dedicada a explorar relações consensuais multi-amorosas (poliamor).


As primeiras comunidades poliamorosas começaram a surgir em 1990. Ainda na década de 90 foram publicados 5 livros sobre o tema, sendo o mais influente de todos o livro publicado em 1997: “The Ethical Slut: A Practical Guide to Polyamory”, considerada por muitos a bíblia do poliamorismo e atualmente em sua terceira edição (foi publicado em português com o título “Ética do amor livre: Guia prático para poliamor, relacionamentos abertos e outras liberdades afetivas”)

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